Sento-me a observar a lua e tento acalmar a luta que se vai dando dentro de mim, não sei o que sou.
Luto com as palavras, não as sei dizer, não as sei escrever, palavras essas que sempre fizeram parte de mim, não sei delas.
Olho e tudo o que vejo alcança a minha alma, tudo o que vejo sinto, sinto tanto e sentir tanto é tão doloroso. Ver em alguém aquilo que vejo em ti provoca-me emoções mistas, com as quais não tenho a coragem necessária para lidar.
Vejo através da profundidade dos teus olhos, algo raro de se ver em alguém, vejo um mistério obscuro que me cativa e me faz ansiar por mais, procuro-te em cada pedaço de ti e mesmo em ti és difícil de encontrar, tão perto de mim, tão distante de ti.
Quero-te, cada pedaço de mim deseja cada pedaço de ti, e não te quero só fisicamente, não quero apenas sentir-te e possuir-te, quero-te ao todo que és, quero conhecer-te, quero perceber cada parte de ti que guardas em segredo, quero a tua alma da mesma maneira que quero cada pedaço do teu corpo, quero-te tanto e não é só querer, é desejo, é espanto, é arrepio, é entrega, és tu.
Talvez goste de ti à tua estranha maneira ou talvez te ame de acordo com a minha loucura, mas sinto, e senti-lo por ti é tão maravilhoso.
Se quando nado nas minhas inseguranças todo o meu medo é não ser suficiente quando te olho a ti toda a minha certeza é que chegas demasiado.
Arrepias-me, levas-me à loucura apenas com a tua presença, o teu olhar desperta toda a curiosidade existente em mim, o teu toque faz-me questionar a vida, o significado das coisas, o teu beijo dá-me a única certeza de que preciso, é ai que quero estar, aqui ou ai, aqui se tu vieres, ai se tu estiveres.
Quero mostrar-te da maneira mais verdadeira e sincera o que vejo quando olho para ti, quero explicar-te que vejo o que quero e o que outrora quis, quero explicar-te que vejo o que amanhã quererei, mas oh, torna-se tão difícil falar de sentimentos quando te incluis neles.
Logo eu, que me comparo a gralhas a falar, logo eu que sou o ser mais extrovertido de todos os seres, a teu lado reduzo-me à insignificância da minha existência e contemplo a tua extraordinária existência.
Conhecer o teu mundo, o teu verdadeiro ser, conhecer medos e angústias, conhecer o que faz de ti o ser tão misterioso que és, conhecer cada pedaço da noite que se insere em ti e deixar-te conhecer cada pedaço do dia que faz parte de mim.
As lágrimas escorrem-me pelo rosto enquanto tento fazer destas palavras algo com sentido, estou frustrada, pergunto-me mil vezes porquê? Porque é que não consegues ver em ti, toda a magia que vejo? Deixei-me encantar por cada pedaço de ti e saber que não te valorizas como deverias, saber que os teus olhos não conseguem ver o que vejo consome-me por dentro, oh se fizesses ideia de quantas almas sonhariam ter a sorte que tenho em encontrar alguém tão maravilhoso como tu.
Sinto-me tão sortuda, tão realizada quando te vejo sorrir para mim, é uma dádiva, é talvez a coisa que me deixa mais feliz, quando digo feliz não me refiro à felicidade de comprar algo novo ou comer algo de se gosta, nem sequer à felicidade de estar com alguém que se adore, refiro-me à felicidade que doí, que é demasiado e que encadeia, a felicidade que escorre pelos olhos, à felicidade que não conseguimos explicar, refiro-me à felicidade na sua verdadeira essência.
Estava feliz, disse-te entre lágrimas e acho que não te consegues aperceber da importância disso na minha vida, estava verdadeiramente e da forma mais sincera possível feliz, ainda estou sabes... Estou feliz sempre que te olho nos olhos, sempre que te toco, estou feliz sempre que és tu ou sempre que é sobre ti, estou feliz porque tu tens esse efeito em mim e sentir isso, sentir isso é tão diferente, é algo que não sinto, é algo tão novo. Estou feliz porque independentemente de tudo me dedicas parte do teu tempo, da tua vida.
O teu ser, a tua existência, o teu mundo, fascina-me, cativa-me, desejo tudo isso, tanto mas tanto. Depois de olhar para mim e ver nada, olho para ti e vejo tudo, é fantástico...
Oh estou triste, estou triste porque quero dar-te o mundo, quero fazer-te ver o que vejo em ti, quero que saibas que cada pedaço de ti, cada defeito, cada estrada sombria fazem de ti o Homem incansável que és.
Se te disser que nunca conheci alguém assim, não duvides, nunca conheci alguém que tivesse o poder de me dominar com o olhar, que me fizesse chorar em palavras, ou que me arrepia-se com um toque. Nunca conheci alguém a quem desejasse tanto dar o Mundo, nunca conheci alguém que me desse a simplicidade do momento, oh nunca te conheci como conheço e nunca te conhecerei como quero.
O sentimento de frustração apodera-se de mim quando me apercebo que jamais conseguirei explicar-te o que vejo em ti, talvez fiques com uma pequena ideia, talvez não, mas saberás sempre que a sinceridade aqui presente é única e somente dedicada a ti, todo o carinho e respeito que te dou é e será somente dedicado a ti, porque não tenhas dúvidas, mereces muito mais do que te consigo dar.
Sempre quis ser minha, vivi a vida com o objectivo de ser minha, apenas minha e conseguir ter todo o domínio sobre mim mesma. Hoje, aqui, neste instante, só quero ser tua e hoje, aqui, neste instante serei tua. Porque tu me dás a simplicidade do momento e não peço nada mais que isso, aliás não peço nada.
Estou aqui, estás aqui, basta-me, serei tua quando o quiser e quando tu o quiseres, na simplicidade do nosso momento, dure ele uma hora, dure ele dias, a simplicidade do nosso momento chega-me. Tu chegas-me, tu és muito mais do que suficiente, tu és tu.


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