Acordo e abro os olhos lentamente, olho à minha volta e permito-me sentir o Mundo, ver o Mundo.  
O cheiro a Verão entra pela janela juntamente com uma sensação de liberdade reconfortante, inspiro... 
Cheira a mar, é talvez das minhas coisas preferidas, o mar, a felicidade que é ser envolvida pelas ondas e deixar-me permanecer ali, no meio do nada mas no meio de tudo.
Sinto-me reconfortada pelo aconchego do Inverno e a liberdade do Verão.
 Diria que a praia é talvez o sitio mais reconfortante para se estar, o meu pequeno escape, gosto de andar pela areia sozinha, sem rumo, sentir o vento a levar com ele os meus cabelos e todas as lágrimas, gosto de me sentir a ir ao sabor do vento e das ondas. 
Perdi-me durante tanto tempo, fechei os olhos ao Mundo e àquilo que sou, deixei que tudo levassem de mim e que em tudo me moldassem... Deixei a minha liberdade, deixei de sentir as letras escreverem frases diante dos meus pensamentos, deixei de me conhecer. 
Sabe bem, sabe maravilhosamente bem finalmente abrir os olhos e permitir-me ver o Mundo, permitir-me ser eu, sinto uma paz e liberdade reconfortantes, sinto-me finalmente eu, não digo que um dia não mude, não me adapte, mas jamais me rebaixarei desta maneira.
Oh há quanto tempo não dançava, não corria pela praia com um sorriso... Há quanto tempo não me sentia realmente bem.
Hoje deixo que as frases se voltem a formar, que os textos se voltem a construir, hoje volto a deixar que tudo isto se torne novamente no meu refúgio. 
Tenho medo, tenho tantos medos. São esses medos que constroem todas as inseguranças que escondo, talvez esteja na hora de não ter medo, de andar para a frente, de não ter medo de viver o momento. O que estiver para vir, virá.

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