O dia adormeceu, a escuridão nasceu, eu abri os olhos.
Está uma noite fria, já as estrelas costumavam dizer, que mesmo as almas mais gélidas conseguem sentir o frio. A verdade é que o sinto mais que nunca, a percorrer cada pedaço de mim, sinto-o a viver e passear por cada veia do meu corpo, sinto-o tanto, sinto-o demasiado.
Perco-me de todas as vezes que me tento encontrar, escondo-me na noite para que me possa perder em silêncio, talvez esteja na hora de voltar a ser eu.
Gritos de suplica e atenção constroem a minha alma, caminhos de tristeza e ilusão fazem as minhas lágrimas. Inspiro. Expiro. Deixo o coração, ou o que resta dele, chorar no aconchego da escuridão, chorar no conforto da sua casa, chorar a falta de saudade e ausência da compreensão, chorar o que foi e o que perdeu.
É leve e fria, é fina e escondida, faz-me feliz e oferece-me pedaços de tristeza de uma força inexplicavelmente amorosa. É clara embora seja escura, é confortável embora arrepie.
É nela que encontro cada pedaço de mim, é nela que converso com cada cicatriz. A escuridão tornou-se a luz mais brilhante do meu pequeno ser.
Fecho os olhos e espero pacientemente pelo próximo anoitecer.

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